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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A luta contra um inimigo oculto

A luta do imunologista para poder emitir o diagnóstico de imunodeficiência primária é algo de muita perseverança e de profissional incansável.

A criança, seus pais e o médico entram numa aventura para encontrar o desconhecido.
Após inúmeras infecções de repetição dá-se início a uma investigação com muitos obstáculos. Como são mais de 100 tipos de imunodeficiências primárias há uma angústia nesta busca do inimigo oculto.

Nesta batalha na qual não se conhece o adversário, deve-se vencer a aflição e as dificuldades, tais como procedimentos não cobertos por planos de saúde e persistir nesta pesquisa minuciosa.

Permanecendo firmes e unidos neste espírito aguerrido, os envolvidos podem suportar e chegar à elucidação diagnóstica, reconhecer finalmente o inimigo e realizar o tratamento mais adequado.

Ao se descobrir o tipo de imunodeficiência primária, a escuridão dá lugar a luz e o combate passa a ser de igual para igual.

Esses são atos dignos de um desbravador que dia-dia inicia uma nova luta pela melhoria da saúde destas crianças.

Este desbravador é o imunologista que jamais será esquecido pelos imunodeficientes e seus familiares.

José Ricardo Corrêa Maia


Texto publicado na seção Diário do Leitor do Jornal Diário Catarinense de 20 de novembro de 2008 com o título Detetive e desbravador.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Em busca do mágico de Oz

No conto do mágico de Oz, a pequena Dorothy enfrenta uma tempestade. Ela pode ser comparada com o imunodeficiente que após várias infecções de repetição deve realizar uma série de procedimentos para confirmar o diagnóstico e acaba entrando num mundo totalmente novo.

Este paciente encontra o homem de lata sem coração que simplesmente informa que os procedimentos não são cobertos. Este é o plano de saúde.

Ao realizar reclamação para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o paciente encontra o espantalho sem cérebro, que comunica que está avaliando a questão. O leão sem coragem é encontrado ao se solicitar apoio aos representantes do povo, que não se manifestam a respeito do assunto.

Então o imunodeficiente vai em busca do mágico de Oz para que ele o faça retornar a vida normal, sem ter que desembolsar nada a mais por isso.

A grande questão é: Quem é o mágico de Oz? Será que ele existe? Assim como a Dorothy, o imunodeficiene normalmente é uma criança. Por este motivo o personagem do mágico é representado pelos pais, que devem usar o SUS ou pagar pelos procedimentos, mesmo com todas as dificuldades financeiras.

Não há pai ou mãe que agüente ver o sofrimento de várias infecções que acabam deixando cada vez mais seu filho debilitado. A grande mágica, na verdade, é vencer os obstáculos, preenchendo os formulários necessários, realizando todos os procedimentos, um a um, e finalmente fazendo o tratamento, contando com ajuda dos médicos e por vezes com apoio solidário dos amigos e suporte de associações de imunodeficientes.

A persistência e a paciência são fundamentais neste aventura.

Em nosso país a história destes anjos é assim, mas poderia ser diferente se o homem de lata tivesse coração, o espantalho cérebro e o leão coragem.

José Ricardo Corrêa Maia

Publicado no Jornal O Vizinho edição 679, no Jornal Notícias do Dia (18/11/2008) e Joranl Ponto a Ponto de novembro de 2008.

Até quando?

No momento, os usuários de planos de saúde continuam levando sustos e tendo surpresas nada agradáveis na hora de realizar procedimentos, tais como dosagem de anticorpos de pneumocócicos, por exemplo.
Eles recebem a negativa do plano de saúde e a justificativa é que o procedimento não consta no Rol de Procedimentos publicado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), no qual estabelece o que os planos são obrigados a seguir.

No instante em que o paciente, neste caso também contratante, mais precisa dos serviços para elucidar e ter um diagnóstico para se ter prescrito o tratamento mais adequado, este PACIENTE acaba ficando desamparado e tendo que exercitar toda sua PACIÊNCIA para buscar seus direitos e conseguir a execução de tais procedimentos.

A pergunta que não se cala é: Até quando?
Até quando as empresas contratadas, a ANS, os deputados federais e os governantes continuarão com esta atitude omissa?
Até quando os pacientes continuarão neste sofrimento e angústia na busca da realização de procedimentos?
Até quando o SUS continuará na UTI, forçando que muitos cidadãos contribuintes procurem por planos de saúde?
Até quando?

José Ricardo Corrêa Maia